Uma carreira na Ortopedia entre Brasil e Israel

Sidney Schapiro se mudou para Israel, em 2016

Depois de construir trajetória na cirurgia do joelho, artroscopia e medicina esportiva no Brasil, Sidney Schapiro mudou-se para Israel aos 55 anos e precisou se adaptar a outro idioma, a um novo sistema de saúde e a uma nova rotina profissional

Sidney Schapiro tinha 55 anos quando se mudou para Israel, em 2016. Àquela altura, já havia construído uma carreira na Ortopedia no Brasil, especialmente em cirurgia do joelho, artroscopia e medicina esportiva. “Não buscava uma oportunidade, mas reconstruir, em outro país, uma carreira que já existia”, conta. 

A decisão vinha sendo considerada por diferentes razões, mas ganhou força depois que Schapiro sofreu um sequestro-relâmpago que durou cerca de 18 horas. A experiência levou a família a discutir concretamente a possibilidade de viver fora do Brasil e, pela ligação de Schapiro com o judaísmo, Israel acabou se tornando o destino escolhido. 

Uma vez no país, o desafio foi voltar a exercer a especialidade. Além de aprender hebraico para se comunicar com os pacientes, Schapiro passou seis meses no Hospital Ichilov, em Tel Aviv, durante o histaklut, período de adaptação em que conheceu as rotinas locais e se familiarizou com a terminologia médica, inclusive os nomes de instrumentos e materiais cirúrgicos. Ao final, obteve o reconhecimento israelense da especialidade em Ortopedia. 

Hoje, vive em Raanana, a cerca de 20 quilômetros de Tel Aviv, e atua como ortopedista ambulatorial no sistema público da Clalit, além de realizar artroscopias e cirurgias, principalmente de joelho e na área esportiva, no Herzliya Medical Center. Entre as diferenças que encontrou está a disponibilidade de materiais que, segundo ele, proporciona boa autonomia técnica ao cirurgião dentro dos protocolos estabelecidos. Da formação brasileira, manteve a valorização da história clínica, do exame físico e da relação com o paciente. “A tecnologia é indispensável, mas não tratamos uma ressonância magnética, tratamos uma pessoa.” 

Algumas condutas mudaram. No Brasil, Schapiro teve uma experiência precoce com plasma rico em plaquetas (PRP) e aprendeu, na prática, que diferentes formas de preparação e ativação não são automaticamente equivalentes. Como não encontrou em Israel o mesmo sistema com o qual trabalhava, hoje faz poucas indicações, embora acompanhe com interesse os avanços na regulamentação brasileira e defenda o uso criterioso, com atenção às evidências. 

A experiência também orienta os conselhos que dá a médicos interessados em trabalhar fora do Brasil. Recomenda, se possível, fazer a mudança mais jovem, conhecer previamente as regras de validação e licenciamento e estudar o idioma local. Para ele, a experiência profissional acumulada ajuda, mas não elimina a necessidade de aceitar um período de adaptação e, eventualmente, alguns passos para trás antes de voltar a avançar. 

Schapiro ainda procurou construir uma vida integrada à sociedade israelense. Hoje é conselheiro do Comitê de Imigração e Integração da Prefeitura de Raanana, enquanto a família também se estabeleceu no país e já ganhou uma nova geração, com o nascimento de seu neto. Os vínculos com o Brasil permanecem no trabalho como diretor médico da Confederação Brasileira Macabi e também fora da medicina. 

Corintiano, ele continua acompanhando os jogos apesar do fuso horário, mesmo quando isso significa acordar às duas e meia ou três e meia da manhã. “Mudei de país, de língua e reconstruí minha vida profissional. Mas de time, definitivamente, não”, finaliza.