A partida do Prof. Cláudio Santili deixa na Ortopedia brasileira um desses silêncios difíceis de compreender e ainda mais difíceis de traduzir em palavras. Mestre, amigo e referência para tantas gerações, Santili construiu uma trajetória marcada não apenas pelo conhecimento e pela excelência profissional, mas, sobretudo, pela generosidade com que sempre compartilhou ambos.
Para o Jornal da SBOT, sua ausência é sentida de maneira ainda mais próxima. Santili fazia parte de nosso corpo editorial e emprestava às páginas deste jornal aquilo que lhe era tão próprio: sensibilidade, cultura, experiência e uma maneira singular de observar a vida e a Ortopedia.
Há algo particularmente emocionante nesta edição. Apenas dois dias antes de sua precoce partida, Santili nos enviou mais uma de suas “pérolas” para a coluna Olhares, espaço no qual escrevia com a maestria de poucos. Um texto que agora ganha outro significado. O que seria mais uma de suas contribuições transforma-se, inevitavelmente, em testemunho de sua presença, de sua lucidez e de sua capacidade de encontrar beleza e reflexão mesmo nas coisas aparentemente simples.
Publicá-lo é também uma forma de mantê-lo conosco.
Nesta edição, poderíamos falar de muitas outras matérias, projetos e acontecimentos de nossa Sociedade. Mas há momentos em que o silêncio e a memória dizem mais. Este é um deles.
Santili parte, mas permanece em seus ensinamentos, em seus amigos, em seus pacientes, nos colegas que ajudou a formar e nas inúmeras histórias construídas ao longo de uma vida dedicada à Medicina, à Ortopedia e às pessoas.
E permanece também nestas páginas.
Com saudade e gratidão.
Gilberto Brandão