Paulo Cezar Schott e seu legado na ortopedia nacional

Além da dedicação à ortopedia, Paulo Cezar cultivou uma forte relação com o mar, com preferência por veleiros que o acompanharam em viagens por todo o litoral sul do Brasil

Nascido na pequena Sumidouro, no interior do Rio de Janeiro, onde viveu até os 10 anos de idade, Paulo Cezar de Malta Schott é filho de Dilermando Pereira Schott e Lígia de Malta Schott.

Com a transferência da família para Niterói, então capital do Estado do Rio de Janeiro, completou seus estudos no tradicional Liceu Nilo Peçanha. Muito estudioso, esteve sempre entre os primeiros da classe. Mantendo o mesmo empenho e dedicação, graduou-se em medicina pela então Faculdade Fluminense de Medicina, hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense como o primeiro aluno da turma.

Já no quarto ano de Medicina, nasceu o interesse pela ortopedia, quando começou a trabalhar no Serviço de Dr. Arnaldo Bomfim, que funcionava na Casa de Saúde Santa Luzia, região da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, ainda capital federal. 

Paulo Cezar seguiu ao lado de Dr. Bomfim até se graduar em Medicina, sendo então admitido como membro do serviço. Nesse tempo, as especialidades, a não ser a cirurgia da mão, não eram bem desenvolvidas, mas, trabalhava junto com Dr. Bomfim, o Dr. Danilo Gonçalves, um dos fundadores da Sociedade Brasileira da Cirurgia da Mão. Por influência de Dr. Danilo, alguns membros do serviço se interessaram pela cirurgia da mão, entre eles Paulo Cezar, José Raul Chiconelli, Fernando Barros e José Mauricio Moraes do Carmo, este ainda estudante. Paulo Cezar deixou o serviço de Dr. Bomfim, por quem nutre um sentimento de profundo respeito e admiração, quando iniciou a carreira docente.

A dedicação ao ensino foi uma das características mais marcantes da vida profissional de Paulo Cezar. Em 1967, prestou concurso para professor auxiliar na Universidade Federal Fluminense e, quatro anos depois, tornou-se livre docente pela Universidade do Rio de Janeiro com uma tese sobre Cisto Ósseo Aneurismático. Aproveito este espaço para, em nome dos ortopedistas do Rio de Janeiro, render homenagem ao patologista Claudio Arthur Pimentel de Lemos, que organizava o Clube do Osso, de onde saíram várias teses de Livre Docência, dentre elas a de Paulo Cezar.  Em 1973, Paulo Cezar tornou-se professor assistente e, em 1980, professor titular na Universidade Federal Fluminense, com tese sobre Transferências Tendinosas na Paralisia Radial.

A dedicação à ortopedia pediátrica solidificou-se quando, por interferência do Professor Jose Henrique da Matta Machado, recebeu de Dean MacEwen, um convite para estagiar no então Instituto Alfred duPont, em Delaware, onde permaneceu de junho de 1980 a fevereiro de 1981. 

Paulo Cezar foi membro da Comissão de Ensino e Treinamento da SBOT entre os anos de 1983 a 1987 e presidente da SBOT no biênio 1989-1990. Foi cofundador da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica, da qual é membro honorário. É também membro fundador da Academia Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, onde ocupa a cadeira de número 31, que tem como patrono Arnaldo Bomfim.

No Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, e também em sua clínica privada, Paulo Cezar foi um dos ortopedistas que ofereceu sustentação ao Programa de Residência da SBOT, orientando um grande número de residentes. Cirurgião extremamente habilidoso e sempre disposto a dividir seus conhecimentos com os mais jovens, deixou uma marca indelével na formação de muitos ortopedistas, entre os quais me incluo, que tiveram a oportunidade de conviver com ele.

Em 2003, aposentou-se do serviço público, mas seguiu trabalhando na clínica privada até completar 80 anos. 

Fora da esfera profissional, Paulo Cezar pode ser chamado de homem do mar. Durante muitos anos, teve uma casa de veraneio às margens da lagoa de Araruama, um verdadeiro ponto de encontro da família e dos amigos, onde adorava esquiar. Sempre teve embarcações, com clara preferência por veleiros com os quais percorreu todo o litoral sul do Brasil. Amante da pesca embarcada, era frequentador assíduo das ilhas Maricá e das Cagarras, no Rio de Janeiro.

Paulo Cezar é casado com Dina Maria desde 1963, com quem teve quatro filhos: Alexandre, Kátia, Cíntia e Marcelo, este o único que seguiu os passos profissionais do pai. Destes filhos, nasceram seis netos e um bisneto.

Paulo Cezar e Dina Maria vivem confortavelmente em uma casa de frente para o mar no bairro de Itacoatiara, região oceânica de Niterói.