A Conquista do primeiro Fator de Impacto da RBO: um marco histórico para a revista e para a Ortopedia Brasileira

RBO nasceu do sonho pioneiro e da resiliência

Por: Geraldo da Rocha Motta Filho
Editor-Chefe da Revista Brasileira de Ortopedia (RBO)

É com imenso orgulho e profunda satisfação, que utilizando este espaço no Jornal da SBOT, me dirijo à comunidade ortopédica nacional, para compartilhar uma conquista que altera definitivamente o patamar da produção científica ortopédica brasileira. A Revista Brasileira de Ortopedia (RBO) acaba de receber o seu primeiro Journal Impact Factor (JIF), atribuído pela prestigiada base Web of Science – Journal Citation Reports (Clarivate), alcançando o índice de 0,5.

Essa vitória adquire um contorno ainda mais extraordinário após análise das métricas tradicionais de indexação. Normalmente, após a inclusão de um periódico na coleção principal da Web of Science, o processo para a atribuição do primeiro fator de impacto leva cerca de dois anos. No entanto, graças ao desempenho da RBO e à criteriosa avaliação dos artigos, o primeiro fator de impacto para a revista foi concedido em apenas oito meses após a entrada na coleção. Esse reconhecimento célere é a maior prova do rigor técnico e da relevância internacional da ciência produzida pela ortopedia brasileira.

Uma Construção Histórica e Coletiva

Olhar para esse índice de 0,5 nos obriga a revisitar própria história da revista e honrar os gigantes que nos antecederam. A RBO nasceu do sonho pioneiro e da resiliência. Suas sementes foram plantadas em 1933 por Barros Lima, com os Archivos Brasileiros de Ortopedia, e consolidadas em 1939 por Achilles de Araújo. Quando a revista ressurgiu na década de 1960 sob a liderança visionária de Márcio Ibrahim de Carvalho, enfrentamos pareceres que apontavam a "inviabilidade financeira" do projeto. Naquela época, a SBOT contava com menos de 300 sócios, tendo sido necessário sacrificar parcelas das anuidades para manter viva a publicação impressa.

A maturidade científica começou a se consolidar nas mãos do Dr. Donato D’Angelo, que liderou a revista com maestria por 27 anos. O avanço seguiu com as gestões modernizadoras de Carlos Giesta, que internacionalizou o periódico ao introduzir a edição bilíngue em 2003 e iniciou a evolução da indexação com a entrada na SciELO em 2007. Sob a liderança de Gilberto Luiz Camanho, em 2015, a histórica indexação no PubMed/PMC foi conquistada e, consecutivamente, na gestão de Sergio Luiz Checchia, foi iniciado o rigoroso processo de submissão à Web of Science em 2022. Portanto, cada um desses líderes, juntamente com seus corpos editoriais, revisores, autores e diretorias da SBOT, é corresponsável pelas conquistas obtidas para a revista na linha do tempo.


O Olhar para o Futuro: Compromisso Renovado

Ao assumir a responsabilidade como Editor-Chefe no início de 2024, sabíamos que o desafio de suceder legados tão expressivos exigiria dinamismo. Por isso, implementamos, imediatamente, reformas profundas voltadas à evolução editorial, como a suspensão do recebimento de relatos de caso, a criação de um corpo ad hoc especializado em revisões sistemáticas e metanálises, coordenado por João Carlos Belloti e a integração de José Leonardo Rocha de Faria como Editor Júnior. Além disso, foi desenhado um novo protocolo de avaliação por pares, mais efetivo e padronizado, e foi implementada uma estratégia para aproximação da revista aos sócios, por meio do novo Boletim RBO e de linguagens mais atraentes para atrair os jovens talentos da especialidade.

Receber o primeiro Journal Impact Factor não é, portanto, uma linha de chegada. É o ponto de partida de uma nova era. Com o índice estabelecido, nossa missão se renova com maior responsabilidade: ampliar a qualidade, expandir as fronteiras da internacionalização e mostrar ao mundo o altíssimo nível da ortopedia e traumatologia brasileiras.

Parabéns a cada ortopedista que faz, lê e acredita na história da nossa RBO!