Sinovite Vilonodular Pigmentada

Ressonância do joelho com Sinovite Vilonodular Pigmentada; áreas de baixo sinal sugerem o diagnóstico

Novos medicamentos estão mudando o tratamento da SVNP e exigem atenção dos cirurgiões de joelho, quadril, mão e pé

A Sinovite Vilonodular Pigmentada (SVNP), atualmente denominada Tumor Tenossinovial de Células Gigantes Difuso (TGCT difuso), é uma neoplasia sinovial localmente agressiva que continua sendo subdiagnosticada e frequentemente tratada de forma inadequada nas especialidades que realizam procedimentos artroscópicos.

Joelho, quadril, tornozelo, punho, mão e pequenas articulações do pé estão entre os locais mais acometidos. Em muitos casos, os pacientes são submetidos à múltiplos procedimentos artroscópicos sem um diagnóstico definitivo da doença e com piora à cada artroscopia. A ressonância magnética nem sempre sugere o diagnóstico de SVNP. O radiologista só levanta essa hipótese quando há múltiplas áreas de baixo sinal na membrana sinovial. 

Um dos maiores problemas práticos dos procedimentos artroscópicos é que, durante inúmeras artroscopias realizadas por derrame articular crônico, sinovite ou “tecido inflamatório”, não é solicitado exame anatomopatológico do material aspirado ou ressecado durante o procedimento.

Essa falha pode retardar significativamente o diagnóstico da SVNP difusa.

Além disso, diferentemente das formas localizadas, a doença difusa apresenta comportamento infiltrativo, acometendo recessos articulares, cápsula, sinóvia, bainhas tendíneas e estruturas periarticulares, tornando extremamente difícil a obtenção de margens cirúrgicas adequadas.

Na prática, procedimentos artroscópicos podem fragmentar a membrana sinovial e disseminar a doença pelos compartimentos articulares, favorecendo recidivas precoces e progressivamente mais agressivas.

Muitos pacientes entram em um ciclo devastador:

  • Dor recorrente; 
  • Derrames articulares persistentes; 
  • Limitação funcional progressiva; 
  • Múltiplas sinovectomias; 
  • Degeneração articular acelerada; 
  • Necessidade futura de artroplastia. 

As recorrências frequentemente apresentam pior comportamento biológico e maior morbidade cirúrgica que a lesão inicial.

Hoje, entretanto, a principal mudança de paradigma é que a SVNP deixou de ser uma doença exclusivamente cirúrgica.

O melhor entendimento da via molecular CSF1/CSF1R levou ao desenvolvimento de terapias-alvo altamente eficazes para casos difusos, recidivados ou irressecáveis.

Medicamentos que todo ortopedista precisa conhecer

Pexidartinib (Turalio®)

Primeiro inibidor de CSF1R aprovado especificamente para TGCT/SVNP difusa. Demonstrou importante redução tumoral, melhora funcional e controle da dor no estudo ENLIVEN.

Vimseltinib (Romvimza™)

Nova geração de inibidores seletivos de CSF1R, com excelentes resultados clínicos no estudo MOTION, especialmente em pacientes com doença recorrente ou não passível de ressecção adequada.

Pimicotinib (DCC-3014)

Nova terapia-alvo em desenvolvimento avançado, com resultados extremamente promissores em estudos recentes e potencial expansão do arsenal terapêutico nos próximos anos.

O reconhecimento precoce da doença, o envio sistemático de material para anatomopatológico durante artroscopias suspeitas podem evitar anos de morbidade, múltiplas cirurgias mal sucedidas e destruição articular irreversível.

Toda sinovite deve ser enviada para exame anatomopatológico

Toda sinovite, por mais simples que pareça durante a artroscopia, deve ser enviada para exame anatomopatológico. O diagnóstico precoce pode evitar múltiplas cirurgias, recidivas agressivas e progressão irreversível da doença.

Sinais de alerta para SVNP difusa

  • Derrames articulares recorrentes 
  • Sinovite hemorrágica 
  • Dor persistente sem explicação mecânica clara 
  • Recidiva rápida após artroscopia 
  • Erosões ósseas periarticulares 
  • Sinóvia espessada e hipervascularizada na ressonância magnética 

 

*Referências bibliográficas

  1. Tap WD, Gelderblom H, Palmerini E, Desai J, Bauer S, Blay JY, et al. Pexidartinib versus placebo for advanced tenosynovial giant cell tumour (ENLIVEN): a randomised phase 3 trial. Lancet. 2019;394(10197):478-487. 
  2. Gelderblom H, Bhadri V, Stacchiotti S, Bauer S, Wagner AJ, van de Sande M, et al. Vimseltinib versus placebo for tenosynovial giant cell tumour (MOTION): phase 3 trial. Lancet. 2024;403(10445):2709-2719. 
  3. Wagner AJ, Gelderblom H, Palmerini E, et al. Long-term efficacy and safety of pexidartinib in TGCT not amenable to surgery. Oncologist. 2025. 
  4. Mastboom MJL, Verspoor FGM, Verschoor AJ, et al. Higher incidence rates than previously known in tenosynovial giant cell tumors. Acta Orthop. 2017;88(6):688-694. 
  5. de Saint Aubain Somerhausen N, van de Rijn M. Tenosynovial giant cell tumour, diffuse type. In: WHO Classification of Tumours Editorial Board. Soft Tissue and Bone Tumours. 5th ed. Lyon: IARC; 2020. 
  6. Bernthal NM, Tap WD, Stavrakis AI, et al. Biology of the CSF1/CSF1R pathway in TGCT. J Bone Oncol. 2021;28:100365.