Professor Edilberto Ramalho faleceu EM 1º de julho, deixando em luto a medicina brasileira e, em especial, a Ortopedia
Mensagens de pesar de ortopedistas de todo o Brasil homenageiam o professor, educador e líder que marcou gerações de especialistas, deixou profunda contribuição ao TEOT e escreveu seu nome na história da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
O Professor Edilberto Ramalho faleceu no dia primeiro de julho, deixando em luto a medicina brasileira e, em especial, a Ortopedia. Sua partida consternou não somente a família, os colegas, os discípulos, mas também os pacientes que se tornaram seus amigos e admiradores. Ele influenciou várias gerações de ortopedistas, especialmente no Rio de Janeiro e no Ceará, sua terra natal, deixando um legado de realizações na Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia-SBOT. Vale destacar o seu comprometimento e participação ativa, nos últimos anos, no Exame do TEOT, reflexo e exemplo do grande educador que foi durante toda a sua vida profissional.
“Ainda incrédulo diante do impacto da morte do amigo e professor notável. A notícia fúnebre, súbita, nos nocauteia. O Professor Edilberto Ramalho é uma personalidade humana admirável sob todos os aspectos. Vibrante, otimista, fervoroso, simples no cotidiano, obediente aos valores morais que pregava, um modelo profissional e existencial, superlativo na sua cultura e inteligência com um humor contagioso e amor visceral à vida. Um espírito jovem que não se intimidava com as limitações da senescência do corpo. Aprendi muito com ele, na iconicidade de seu sino, um signo que efetivamente resplandecia nos momentos máximos do TEOT. Aprendi nos “casos” relatados, impregnados pela sua “visão particular de mundo”, na religiosidade de sua essência altruísta, no seu discernimento metafísico entre o ser e o ter. Era um prazer e uma honra conversar com ele. Transmitia emoção! Um exemplo de decano para novas e futuras gerações de ortopedistas. Fomos privilegiados em partilhar de sua existência amiga e iluminada! Ao lado de Nosso Pai celestial hoje chega mais um servo, um homem de valor, íntegro e exemplar, que fez do seu legado uma referência para várias gerações! Meus sinceros pêsames à família! Descanse, Professor!” (Aloísio Bonavides – Brasília - DF).
“Que tristeza! Que lástima! Tanta inteligência, perspicácia e alegria de vida que se vai! Quanta perda, num curto espaço de tempo! Que a Eleara e toda a família encontrem conforto para suportar a dor da perda!” (Claudio Santilli – São Paulo - SP).
“É com profundo pesar que o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) recebe a notícia do falecimento do Prof. Dr. José Edilberto Ramalho Leite, ocorrido em 1º de julho de 2026. Ao longo de sua trajetória, o Dr. Ramalho dedicou sua vida à ortopedia, ao ensino, à gestão hospitalar e ao fortalecimento das instituições que ajudaram a construir a história da especialidade no Brasil. Sua atuação foi decisiva para o desenvolvimento do então Hospital de Traumato-Ortopedia e para a consolidação do INTO como um centro nacional de excelência em assistência, ensino e formação de especialistas. Professor, gestor, líder, amigo e inspirador de inúmeras gerações de ortopedistas, deixa um legado marcado pela competência, pelo compromisso com a saúde pública e pela dedicação incansável à medicina brasileira. Neste momento de tristeza, o INTO presta sua homenagem e manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos, colegas, alunos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com o Prof. Dr. José Edilberto Ramalho. Seu legado permanecerá vivo na história da instituição e na memória da ortopedia brasileira.” (José Paulo Gabbi – Rio de Janeiro - RJ)
“Que notícia triste. Conheço o Dr. Edilberto desde a minha infância. Foi sócio do meu pai. Sempre me tratou muito bem e vibrava com minhas conquistas. Tenho um carinho muito grande por ele. A Ortopedia perde um grande ser humano. Que Deus conforte sua família.” (Fernando Façanha- Fortaleza - CE)
“Muito triste mesmo, profissional da melhor qualidade, homem de enorme coração, tivemos uma convivência muito longa e de muita amizade e respeito. Grande perda.” (Marcio Malta - Rio de Janeiro -RJ)
“Este som, mas nunca terá o mesmo glamour! Descansa em paz grande professor e mestre. Obrigado sempre pelos momentos especiais vividos conosco- família SBOT. Que Deus te receba com muita alegria e te coloque num lugar especial como o senhor merece. O senhor nunca será esquecido sempre que este sino ecoar naquela sala do TEOT.” (Marcus Andre- Recife - PE)
“Notícia muito triste. Um grande homem, grande profissional e um amigo. Nasceu para servir. Trabalhamos muito no fortalecimento da Ortopedia Carioca. Descanse em paz. Eterno Edilberto Ramalho.” (José Sergio Franco - Rio de Janeiro - RJ).
“Estou triste pelo passamento do Dr. Edilberto. Quem não conhece o “Homem do Sininho”. Foram várias gerações de residentes que ouviram o som do sino para trocar de questão. Parte o homem, mas fica o exemplo. Que Deus dê força à família e seus filhos para passar este momento de perda e dor.” (Ricardo Falavinha – Curitiba - PR).
“Pêsames à família e aos amigos, que certamente se despedem do Dr. Edilberto com ótimas lembranças pela oportunidade da convivência! Sou um desses!” (Wagner Nogueira- Belo Horizonte - MG).
Um tributo ao Henry
Por Dr. Aloísio Bonavides
Henry morreu. Não o príncipe, oriundo do berço dourado dos ingleses, mas o pequeno anjo brasileiro nascido em um lar desprovido de proteção, criado no vácuo tenebroso de uma separação familiar conflituosa. Henry era um menino de quatro anos. Sei bem como é essa fase da vida. Tenho dois meninos em casa. Crianças assim são a brisa que surge para refrescar a aspereza do cotidiano dos adultos. São um presente e, ao mesmo tempo, uma nobre missão que engrandece quem tem o privilégio de conduzi-las. O universo lúdico ainda não foi contaminado pelas agruras do mundo. Dentro da nave que pilotam velozmente entre as nuvens, mergulham na fantasia das alturas. Costuma-se venerar a figura materna como uma fada, cuja magia se aproxima da perfeição. A figura paterna, por sua vez, costuma ser vista como um super-herói capaz de proteger dos inimigos invisíveis. Henry, porém, não desfrutou desse privilégio. Perdeu suas referências na solidão em que foi lançado.
Por circunstâncias danosas e covardes, a vida lhe suprimiu direitos, mostrou-se hostil e interrompeu precocemente suas esperanças. Quando deveria viver os dias mais felizes da infância, foi submetido à violência e ao sofrimento. Em vez da proteção e do acolhimento esperados, prevaleceram a negligência, a omissão e a indiferença. Consumido por conflitos alheios, permaneceu sem o cuidado indispensável a toda criança.
No delicado fio da existência, tentando manter-se em equilíbrio, encontrava-se um menino solitário, ferido e silencioso, implorando por atenção. Destinado a experimentar o abandono em um ambiente disfuncional, distante do afeto e da segurança que toda infância merece, tornou-se prisioneiro da indiferença e da ausência de proteção. O amparo que poderia representar um porto seguro permanecia distante e insuficiente. Encurralado, vítima de uma violência brutal, era mantido sob o silêncio imposto pelo medo. A crueldade humana roubou-lhe a oportunidade de crescer, de viver, de tornar-se adulto e de construir a própria história. Injusto, monstruoso e profundamente cruel. Como uma guilhotina impiedosa, a violência decapitou, com requinte de perversidade, a dignidade de uma criança perdida no caos do seu pequeno universo.
Henry subiu lentamente as escadas para o céu. Agora está mais leve, livre da penúria física que fazia seu pequeno corpo padecer. Segue resplandecente, como um vagalume iluminando o caminho de sua ascensão. Que pequeno guerreiro! Agora está livre do sofrimento atroz, junto de Jesus. Que seu olhar terno proteja os milhares de meninos que, assim como ele, ainda sobrevivem nas sombras da violência espalhada pelos mais diversos cantos da Terra. No descer silencioso de seu pequeno caixão e na distância que o tempo impõe à sua partida, segue um pedaço do coração de todo pai, de toda mãe e de toda pessoa que ama uma criança.