A SBOT promoveu, em março, um webinar em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, reunindo ortopedistas para discutir o papel feminino na especialidade. O encontro foi moderado pela Dra. Maria Fernanda Silber Caffaro e contou com a participação da Dra. Patrícia Fucs e da Dra. Giana Giostri.
“Foi um espaço de troca qualificada, experiências transformadoras e fortalecimento da representatividade feminina na Ortopedia. Estou orgulhosa de fazer parte de uma comunidade que valoriza e celebra as conquistas das mulheres na saúde”, salientou Dra. Maria Fernanda, diretora de Regionais.
A discussão trouxe um retrato de uma área historicamente marcada por predominância masculina. Dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) mostram que, dos 15.364 membros ativos da entidade, 88,9% são homens, enquanto 9,7% são mulheres (1,4% não informaram gênero). Os números, no entanto, revelam avanços graduais. No Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia, a participação feminina passou de 9,5% em 2016 para 21%, em 2025.
Já nas demais atividades científicas promovidas pela SBOT, a presença de mulheres tem se mantido em torno de 3% a 4% ao longo dos últimos anos, demonstrando que ainda há espaço importante para ampliar a representatividade feminina nos ambientes de produção e difusão de conhecimento científico.
Patrícia Fucs, primeira, e até hoje única, mulher a presidir a SBOT ao longo de décadas de história da instituição, ressaltou que a Sociedade foi pioneira na representatividade feminina à frente da instituição, “muito antes da Academia Americana, o que mostra que os nossos sócios estavam abertos a mudanças”. “As mulheres querem equidade de oportunidades de trabalho, de progressão acadêmica, e o objetivo desse webinar foi propagar que a SBOT é uma sociedade moderna, de vanguarda e que promove a equidade entre todos os seus membros. Todas nós lutamos pela mesma coisa, que é promover uma ortopedia de altíssima qualidade no tratamento dos nossos pacientes, onde quer que estejamos trabalhando”, completou.
Presidente eleita para a gestão 2028 da SBOT, Dra. Giana Giostri destacou que ter mulheres como referência na especialidade inspira e influencia diretamente a escolha de estudantes das escolas de Medicina. “A ortopedia está deixando de ser um espaço homogêneo para se tornar mais diverso. A presença feminina é tratada não como exceção, mas como componente essencial para a evolução técnica, ética e relacional em nossa especialidade”.